Para-raios Não Protege Seus Equipamentos: o Papel do DPS e da Proteção Contra Surtos

O SPDA no telhado protege a estrutura e as pessoas contra o raio direto. O que queima CLP, inversor e servidor é o surto que entra pelos cabos — e contra isso quem trabalha é outra parte da NBR 5419.

Publicado em 1 de out. de 2026 — SPDA e Aterramento

Dois problemas diferentes

O SPDA — captores, descidas e aterramento — existe para conduzir a corrente do raio até o solo sem incêndio, sem danificar a estrutura e sem expor as pessoas. Ele não impede que uma sobretensão chegue aos equipamentos. Essa sobretensão, o surto, entra pelas linhas de energia, de dados e de telefonia, ou é induzida nos cabos por um raio que caiu a centenas de metros da planta.

Por onde o surto entra

Pela rede da concessionária, quando o raio atinge a linha ou cai perto dela; pelos cabos que saem do prédio para câmeras, portões, bombas e iluminação externa; e pela própria corrente do raio, que se divide entre as massas metálicas da instalação quando a edificação é atingida. Cada um desses caminhos precisa de uma barreira própria.

O que a NBR 5419-4 chama de MPS

A parte 4 da norma trata das medidas de proteção contra surtos (MPS): aterramento e equipotencialização, blindagem e roteamento adequado dos cabos e DPS (dispositivos de proteção contra surtos) instalados de forma coordenada. A ideia é dividir a instalação em zonas de proteção e reduzir o surto em etapas, da entrada de energia até o equipamento sensível.

DPS em cascata, não um só

Na entrada da instalação vai um DPS capaz de suportar parte da corrente do raio (classe I); nos quadros de distribuição, DPS que limitam a sobretensão que sobrou (classe II); e junto dos equipamentos mais sensíveis, a proteção fina (classe III). Um único DPS no quadro geral não segura o surto induzido nos cabos longos que vão até o equipamento, e DPS sem coordenação entre si podem simplesmente não atuar na ordem certa.

A instalação decide se funciona

O DPS precisa estar ligado ao barramento de equipotencialização com condutores curtos e retos: cada metro a mais de cabo soma tensão durante o surto e pode anular a proteção. Ele também precisa ser inspecionado — muitos modelos têm indicador de fim de vida, e um DPS que já atuou várias vezes pode estar fora de serviço sem que ninguém perceba.

Onde isso entra no laudo

Um laudo de SPDA bem feito não olha só o telhado: verifica a equipotencialização das linhas que entram na edificação e a existência e o estado dos DPS indicados na análise de risco. Se a sua planta já perdeu placas eletrônicas depois de um temporal, a causa provavelmente está aqui, e não no para-raios.