Publicado em 1 de out. de 2026 — SPDA e Aterramento
O número depende de como foi medido
O método clássico é o da queda de potencial: injeta-se corrente entre o eletrodo medido e uma haste auxiliar distante, e mede-se a tensão com uma segunda haste posicionada entre os dois. Se as hastes auxiliares ficam perto demais do aterramento, as zonas de influência se sobrepõem e o valor lido sai diferente do real. Um laudo que não informa método, distâncias e equipamento não permite conferir se a medição vale.
O alicate terrômetro tem limite
O alicate é prático e mede sem desconectar nada, mas só funciona quando o eletrodo faz parte de um laço com outros aterramentos em paralelo — e o que ele lê é a resistência desse laço, não a do eletrodo isolado. Num aterramento único, sem outros caminhos de retorno, ele não serve. Usar o alicate fora dessa condição é uma das fontes mais comuns de valor bonito e errado.
Solo seco, valor diferente
A resistividade do solo varia com a umidade. Uma medição feita logo depois da quadra chuvosa pode mostrar um valor bem menor do que o sistema terá no auge do período seco. No Ceará, onde a diferença entre as estações é grande, vale registrar a data e a condição do solo em cada medição e comparar resultados de épocas diferentes antes de concluir que o aterramento está bom.
Resistência baixa com conexão rompida
O terrômetro mede o eletrodo, não o caminho até ele. Uma descida de SPDA rompida, uma emenda corroída ou um condutor de proteção solto do barramento não aparecem nessa leitura. Por isso a inspeção precisa incluir o ensaio de continuidade — medição de baixa resistência entre os pontos do sistema, incluindo as armaduras quando o SPDA é estrutural.
O que a norma pede, além do número
A NBR 5419-3 recomenda uma resistência de aterramento da ordem de 10 Ω para o SPDA, mas dá mais peso ao arranjo: anel de aterramento, eletrodos integrados e equipotencialização de todas as massas. Em subestações, o critério nem é a resistência em si, e sim as tensões de passo e de toque calculadas para a malha. Um valor isolado, sem esse contexto, não diz se o sistema protege.
O que um bom laudo de aterramento traz
Método e equipamento usados, croqui com a posição das hastes auxiliares, valores medidos por ponto, data e condição do solo, ensaio de continuidade, comparação com o critério da norma aplicável e recomendação objetiva quando algo está fora — com a ART do engenheiro responsável.